Posts Tagged ‘Especial Eleições 2012’

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Ninguém segura essas Marias

6 de setembro de 2012

Maria foi minha babá. Mais de meu irmão do que minha, tá certo. Sempre rolou uma inveja de minha parte por conta disso.

Quarenta e tantos, moradora da periferia, empregada doméstica desde que se entende por gente, baixinha do interior, mãe solteira de 4 marmanjos que não servem sequer pra avisá-la do dia exato em que iriam crismar – desavisada, Maria não foi à igreja naquele dia.

Nas horas vagas, gosta de capinar com as mãos o quintal de sua casa “pro mato demorar mais a crescer”. Aliás, ela também usa a mesma técnica de capinação aqui no quintal de casa, isso enquanto espera meu pai descer com o pagamento pela pilhas de roupas que acabou de passar.

Maria, quando descansa, capina quintais.

E poda as árvores.

E alimenta o Jabuti.

E lava as louças sujas da pia.

E faz bainhas de calça por três reais.

Se precisar, também carrega pedra.

Aí as eleições chegaram.

Maria vota em Quatipurú. De dois em dois anos, ela se prepara para visitar a família sob o custeio das máquinas eleitorais coronelistas, as mesmas que a registraram como se tivesse mais idade do que tinha de fato, tornando-a, dessa forma, mais velha e apta a votar.

Maria até hoje não sabe quantos anos tem de verdade. São apenas palpites.

-E esse cara aí, que tá a fim de se eleger usando as merdas que o Dudu fez como exemplo, Maroca. Já viste esse papo?

-Já, menina… mas nem que eu votasse aqui eu votava nele. Ainda mais, esse negócio de votar… O Agla (Aglailson, seu filho caçula que quer quebrar toda a casa quando chega bêbado da rua) disse que não vai pro Quatipurú só pra votar esse ano, mas os outros meninos parece que vão.

-E tu, vais  também?

-Vou. Quer dizer, se mandarem o carro, eu vou.

-E eles mandam o carro pra vocês votarem no candidato deles, né?

-É, mas chegando lá nós vota em quem nós quer. Ninguém vai saber mesmo, ora droga! (risos)

Foi aí que me ocorreu que as Marias (inclusive aquelas que não vivem, apenas aguentam) estão aprendendo a votar.

E quando aprenderem de vez, ninguém segura essas Marias…

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Raio de Ação

6 de setembro de 2012

Muito interessante a experiência de trabalhar com e para nossa comunidade.

Acabo de voltar de uma reunião com um coletivo de cultura que está se reestruturando aqui no conjunto Satélite, em apoio às candidaturas de Edmilson Rodrigues e da professora Silvia Letícia. Fui atraída para a atividade pela proposta de discutir novos rumos para O CURURÚ – Pagando o sapo na galera, o jornalzinho impresso que circula pelo Sat há anos.

Me intrigou bastante notar a diversidade daquele espaço (tivemos a presença de estudantes, funcionários públicos, evangélicos, católicos, umbandistas, militantes, filósofos, donas de casa e artistas) e o sentimento de pertença e responsabilidade daqueles e daquelas moradoras, independente de estarmos nesse momento de campanhas eleitoral.

O conjunto Satélite tem uma tradição histórica de movimentação cultural. Por ali já se passaram várias rockadas, carnavais, festivais, guerrilhas poéticas, campeonatos esportivos, enfim, toda sorte de manifestações. É certo que hoje este movimento está tímido, mas o que eu vivenciei naquela troca de experiências foi que aqueles moradores estão mesmo dispostos a sair do saudosismo do “já teve” e perseguir bem mais.

A conjuntura é propícia, a hora é essa.

Aquelas ruas, aquelas casas, aquelas praças, aquelas pessoas reacenderam meus olhos para o poder da cultura e da comunicação popular e alternativa como premissas básicas para a transformação social. E se eu não tenho os olhos voltados pra minha comunidade, vou voltá-los para onde?

Está definido meu raio de ação. Convidarei vocês para o lançamento da nova edição do Cururú muito em breve 😉

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Ressignificando a poesia

28 de agosto de 2012

É impressionante como esse poema do Thiago de Mello faz parte da minha vida, não importa o momento que eu esteja vivendo.

Esse período de eleições tem me trazido muitas reflexões sobre minhas convicções como agente histórico e transformador da realidade ao meu redor…

Tantas e tão profundas que só caras como o Thiago conseguem traduzi-las em palavras.

Para os que virão

Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular – foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
– muito mais sofridamente –
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.

 

*Ainda me arrepio a cada verso*

Lúcio Flávio Pinto

A Agenda Amazônica de um jornalismo de combate

Grupo Ecosol

Grupo de Pesquisa em Economia Solidária

Das Lutas

Coletivo

[PONTO DE PAUTA] para o livre debate.

Destina-se a abordar criticamente acontecimentos relacionados à política, à economia e à cultura no Brasil, na Amazônia e no Pará em contraponto com a visão editorial conservadora dos chamados grandes órgãos de comunicação.

Ginecosofía

Sabiduría Ancestral de las Mujeres

CINE CCBEU

Em fase de treinamento.

Cine Líbero Luxardo

Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves

CINE OLYMPIA

Em fase de treinamento.

Centro Cultural SESC Boulevard

Em fase de treinamento.

BLOG DO BARATA

Em fase de treinamento.

Site da Enecos

Em fase de treinamento.

Xingu Vivo

Em fase de treinamento.

Hupomnemata

Em fase de treinamento.

Manuel Dutra

Em fase de treinamento.