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Eu também sou vadia

29 de maio de 2012

Se eu fosse ficar puta e me retirar a cada asneira machista que escuto nas mesas dos bares dessa vida, desistiria da boemia.

Mas é cada um papo que rola que deusulivre!

-Racha aquela ali, mano?

-Racho!

Foi aí que eu desenvolvi o método “pare e pense na babaquice que você está falando”. É um método sutil de empentelhamento, mas quase sempre funciona.

-Racha aquela ali, mano?

-Racho

-Nossa, que moça bonita! E com esse uniforme da Yamada, deve ser uma trabalhadora voltando pra casa cansadíssima, né? Logo essa Yamada, que explora peeeso a galera que trabalha lá. Taí, essa moça merece mesmo respeito. Botei fé.

Pronto, cabô com a palhaçada. A discusão vira logo pro amigo que também é explorado na yamada, pra festa anual que eles fazem e dão um monte de presente pra acalentar os trabalhadores, pra liquidação poderosa que eles realizam no início do ano (e que realmente vale a pena, sempre compro calcinhas na ocasião) ou pra nova camisa do papão que está a venda na loja, lindona.

Aí eles percebem que dá pra olhar para nós, mulheres, sob um outro ponto de vista, e eu tenho convicção de que o fato d’eu estar ali, tocando nesse assunto, reforça esse pensamento.

Lógico que ninguém sai da mesa do bar transformado, avançado em seu processo de consciência e abraçando o feminismo, mas só o fato de ter interferido na naturalização de mais uma bizarrice machista já me anima bastante.

Também é lógico que as vezes o tiro sai pela culatra e o cara fica logo de orelha em pé, muito puto, perguntando quem é essa chata mal comida se metendo em papo de macho, deve ser bem sapatão essa puta, mas eu duvideodó que até mesmo esse cara não reflita nada a respeito da minha intervenção. DU-VI-DO!

Confio no homens. Até no miseráveis.

Nos meses de maio e junho, o mundo vai nos ver em marcha para denunciar esse e outros tipos de conduta bem mais graves do que as que eu combato na mesa do bar, mas que tem a mesma matriz débil, baseada em uma sociedade machista, opressora e patriarcal, que nos diminui como objeto a ser rachado ou não – depende da nossa aparência.

Um bando de vadia na rua, lutando pelos seus direitos.

Esse vídeo-chamada para a marcha das vadias DF me deixou arrepiada, ói.

Pois é, gente.

Eu sou mulher e acho que vou mudar o mundo. Sou uma tremenda vadia, diga lá!

😉

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2 comentários

  1. Ai, que vadia!


  2. Prima…muito massa…quaseheroina..caraca véio o sangue que rola nas minhas veias tbm rola nas suas (Conceição dos Santos de Abaeté)…emocionado.

    Abraços do seu primo chubby



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