h1

J.

23 de maio de 2012

Quando eu era molecota e estudava no colégio Mina dos sete anões, como toda criança da época, colecionava figurinhas.

Meu álbum favorito – e o primeiro que eu consegui completar –  era de um chiclete em formato de ovo de dinossauro, o Huevitos. Os chicletinhos vinham em uma mini cuba de ovos, que virou o lanche diário ds meus recreios. Embaixo da cuba, a preciosidade: mais uma figurinha pra completar minha coleção. \o/

O álbum era uma espécie de mapa mundi todo trabalhado na estética dinossáurica (aceite o meu dinissaurês) e o objetivo era encontrar as figurinhas com a imagem da capital de cada país.

Eu ia muito bem na coleção até empacar na última figurinha que faltava: Bogotá – Colômbia.

Fiquei à espreita do dia em que a secretária do colégio chegaria com um novo carregamento de huevitos (ela era quem vendia os bombons lá nos 7 anões). Carregamento em mãos, pedi à que ela me ajudasse a olhar fundo-de-bandeja por fundo-de-bandeja, até encontrar Bogotá.

Encontramos.

Bogotá é capital da Colômbia.

Foi a única coisa que eu soube sobre esse país durante muito tempo, além do narcotráfico, das Farc e do caso Íngrid Betancourt.

Isso até eu conhecer o J. …

Quando é que tu vais imaginar sair de Belém do Pará-Brasil, com destino à Montevidéo-Uruguai e se tornar amigo de um cara de Ibagué – Colômbia?

Nem o meu poder de  imaginação ultra fantasiosa previu um negócio desses.

Em poucos dias de convivência, o J. se tornou meu amigo mesmo, um brotherzaço, embora as línguas diferentes nos condissionassem a entender apenas 80% do que um queria dizer pro outro.

 

Mas maluco se entende.

 

J. é daquelas pessoas que só tem a te acrescentar. Nosso primeiro diálogo foi sobre o contexto político dos nossos países, organizações político-partidárias, movimento estudantil, idependentismo, anarquismo, canabis e cerveja.

Falamos do exército colombiano, da visão que a mídia brasileira construía da Colômbia, da intervenção norte-americana na cidade dele, dos ofícios dos nossos pais, dos nossos ofícios, da pesquisa em comunicação na américa latina, do nosso papel enquanto jovens pesquisadores, da nossa responsabilidade social, do futuro…

Em poucos dias, construímos clandestinamente um colóquio Brasil-colômbia.

J. pesquisa a memória audiovisual dos conflitos colombianos, vende filmes na Universiade de Tolima e já foi vocalista de banda punk. Gosta de uma onda, mano, que eu vou te contar! Não para quieto nos lugares, faaaala pelos cotovelos, é de uma curiosidade, uma instiga sem tamanho.

Compartilhamos de muitas visões de mundo, de muitas viagens e reflexões sobre a vida, a sociedade, a comunicação social, a cultura, e isso me fez resgatar certas ideias engavetadas pelos desvios da vida. São coisas que brilham nele e estavam quase se apagando em mim.

Tenho retomado a consciência disso e aos poucos vou reacendendo essas luzinhas por aqui.

Combinamos em manter esse nosso trato brasil-colômbia compartilhando nossas produções, livros, autores, teorias, músicas, filmes, pesquisas, neuras e soluções.

Não faço a menor ideia de quando encontrarei o J. novamente, mas isso é o que menos importa.

Nosso encontro na mesma cidade, no mesmo congresso, no mesmo hostel, no mesmo período de estadia e no mesmo horário de vôos de volta para nossos respectivos países não foi mera coincidência.

Somos aprendizes em um mundo duro, buscando pares para se somar.

Nos somamos.

Hasta luego, amigo!

 

 

 

 

Anúncios

3 comentários

  1. a somatória é a coisa mais linda da vida!


  2. Amigos de verdade são muito raros de se encontrar. Mais raros até que figurinhas disputadas de um álbum.



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Lúcio Flávio Pinto

A Agenda Amazônica de um jornalismo de combate

Grupo Ecosol

Grupo de Pesquisa em Economia Solidária

Das Lutas

Coletivo

[PONTO DE PAUTA] para o livre debate.

Destina-se a abordar criticamente acontecimentos relacionados à política, à economia e à cultura no Brasil, na Amazônia e no Pará em contraponto com a visão editorial conservadora dos chamados grandes órgãos de comunicação.

Ginecosofía

Sabiduría Ancestral de las Mujeres

CINE CCBEU

Em fase de treinamento.

Cine Líbero Luxardo

Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves

CINE OLYMPIA

Em fase de treinamento.

Centro Cultural SESC Boulevard

Em fase de treinamento.

BLOG DO BARATA

Em fase de treinamento.

Site da Enecos

Em fase de treinamento.

Xingu Vivo

Em fase de treinamento.

Hupomnemata

Em fase de treinamento.

Manuel Dutra

Em fase de treinamento.

%d blogueiros gostam disto: