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Investigando as origens da tremidinha

19 de março de 2012

Aqui no Pará a gente tem uma relação tradicional com o verbo tremer, herdado do Brega.

Acho que desde os primórdios da aparelhagem “Tupinambá – o Treme terra”, o verbo foi popularizado como expressão para designar agitação, potência, frenesi, muita onda.

Mas eu disse POPULARIZADO, porque UTILIZADO ele deve ter sido desde tempos onde a minha memória histórica não chega, e deve ter a ver com a nossa tradição de ouvir som nas alturas, fazendo a terra tremer.

Vivo essa tradição aqui em casa geralmete aos domingos, quando meu pai compra aquela cerveja e põe o treme terra da família Machado pra tocar.

Estagiei por mais de um ano na ilha do Marajó e saquei que isso de ouvir som alto é ainda mais forte nos interiores do estado. Em várias casas da comunidade onde ficava a base do meu estágio, a gente podia ouvir lááá de longe as caixas amplificadas, que toravam no som o dia todo.

Inclusive, essa é a origem das aparelhagens gigantescas que a gente conhece hoje como Super Pop, Príncipe Negro, Rubi e outras mais: tudo se iniciou com a galera que  fazia aglomerados de caixas de som pra aumentar a potência do som. Aí evoluiu, evoluiu, e hoje são toda aquela parafernália de torres sonoras que fazem o maior sucesso.

Eu acho isso demais, sinceramente.

Depois do trabalho lá no Marajó, eu adorava me meter no bar do nego pra ficar atracada com uma garrafa de São Pedro, um vinho que custava 3,50, ouvindo credeence ou baile da saudade. O bar se resumia à uma palhoça com uma mesa de bilhar, um dvd à disposição do cliente e uma caixa amplificada. Por mais que o bar ficasse nos fundos da nossa base, chegar lá no meio do mato e sem nenhuma iluminação era uma aventura…

Bons tempos aqueles =]

Mas hoje, popular meeesmo é o “tremidinha“, um passo do tecnobrega onde as pessoas abrem os braços, projetam o ombrinho e metem ficha na tremedeira.

Os brodinhos desse vídeo são profissionais nesse lance. Eu fico pagando pra habilidade dessa galera, na moral.

Endoida, moleque!

Tenho a impressão de que esse passo surgiu a partir da música “Galera da laje”, que quando o refrão dizia

“Laje, Laje

a galera da laje”

o povo abria os braços e as mãos e se sacudia pra frente e pra trás, assim:

Mas também acho que a origem da tremidinha pode ter a ver com a “metralhada” dos dj’s Elison e Juninho na apoteose do Super-pop, quando eles sobem no “altar sonoro” com um teclado-guitarra-metralhadora-gigante (eu não sei mesmo que diabos é aquilo, só sei que sai faísca quando ele começa a “metralhar” o som em todo mundo). A galera coloca a mão pra frente, junta os dedos indicadores e “o do cotoco”, levanta os polegares e se sacode pra frente e pra trás, como se tivesse atirando com uma metralhadora.

Não encontrei esse passinho, mas momento é esse aqui:

Aí eu me pergunto:

Seria a “tremidinha” um desdobramento do “laje laje” e da “metralhada”?

Esta é a minha hipótese. =p

No festival Grito Rock que rolou aqui em Belém esse fim de semana, a banda Gang do Eletro colocou todo mundo pra tremer, inclusive em cima do palco, com a presença ilustre de vários mestres na tremedeira. Sim, era um festival de rock e rolou tecnobrega. Sim, eu também fico intrigada com isso, vide o post anterior. E sim, eu tremi horrores no meio da galera. HEHE

Me acha na tremedeira, vai!

Porque aprender a tremer também é coisa do meu treinamento de heroína. 😉

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4 comentários

  1. Adorei o post!! 😀


    • E eu adorei a tua tremidinha lá no palco do grito Rock, bunita! hehehe


  2. Égua… Parabéns pelo texto! Quisera que muitos mais escrevessem assim sobre a nossa terra.


    • Valeu, Abílio. Acho que a gente que vive a cultura da nossa terra sem todos aqueles conceitos pré concebidos tem mais é que escrever, né não?
      Escrevo sempre que posso 😉



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