h1

Acabou-se o que era doce

3 de março de 2012

Todo mundo sabe que eu odeio a rede globo de televisão e todos os outros meios que estão envolvidos direta ou indiretamente à ela. Se não sabe, um dia vai ficar sabendo. Constatará, inclusive, que eu sou increvelmente ranzinza quando o assunto é esta sangue-suga alienante (e que não me falta criatividade para encontrar adjetivos que lhe caibam).

Mas antes de mais nada, eu sou comunicóloga. Pesquiso, estudo e me interesso por todos, eu disse TODOS os produtos midiáticos.

Graças ao bom salário do meu pai, temos TV por assinatura em casa, e o pacote é completão. Quando vejo uma excelente programação na TV fechada, lamento profundamente por essa não ser, nem de perto, a realidade da maioria dos brasileiros e brasileiras, que estão a mercê das mais pífias programações, pricipalmente no horário nobre, quando os trabalhadores estão cansados de uma longa jornada, sentados em sua poltrona, absorvendo porcaria não pela “Globalização”, mas por PURA FALTA DE OPÇÃO.

Mas fula da vida ainda eu fico quando a programação boa é no Telecine ou no Canal Brasil, ambas da Rede Globo. ¬¬

Mesmo assim, sempre quando posso, espio a programação do canal aberto. Datena, novela da 8, malhação, miniséries, desenhos animados, telejornais e pricipalmente os programas de variedades de conteúdo local. Só não engulo big brother, que só de ouvir a chamada do programa já me dá um asco profundo, nem Anamariabraga, nem Zorra total, nem Ratinho, nem Rota Cidadã. Paciência, minha veia pesquisadora não é maior do que meu amor à vida, e segundo a minha mãe eu só falto ter um treco quando exposta a uma dessas agruras.

De resto, tudo passa. Mas não passa com olhos de mera espectadora não. É importante saber o que se tem feito na TV aberta desse país, mesmo que a constatação seja catastrófica e não se tenha motivos para comemorar: nesses 60 anos, a TV brasileira decaíu, e muito, em seus conteúdos (e não adianta vir me falar de qualidade técnica avançada, senhor Dominique Wolton).

Mas no meio de tanta lama, também faço questão de reconhecer quando alguma coisa presta.

Foi o caso da Novela que teve vida curta e acabou de acabar, “A vida da gente”.

Mesmo não tendo acompanhado seus capítulos religiosamente, sempre que podia e lembrava, assistia e sempre me agradava com o que via.

A gente é tão acostumado com os moldes prontos de novela, que no início me intrigava bastante um elenco tão pequeno. Era como se a novela tivesse um único núcleo e todos os personagens acabassem interagindo de uma forma ou de outra. Isso eu atribuo a um roteiro bem elaborado.

A trama era densa, surpreendente, e os fatos mais inesperados se desdobravam com explicações plausíveis, não se justificando apenas como sendo “coisa de novela”. Os diálogos eram inteligentes e maduros, gostosos de se acompanhar.

O elenco foi escolhido a dedo, sem prezar somente por carinhas bonitinhas, mas também por profissionalismo.

“O papel principal é do texto”, segundo Jayme Monjardim. E foi mesmo, pricipalmente no útimo capítulo. A carta trocada por Ana e Rodrigo enquanto as tramas finais iam se desenrolando foi encantadoramente genial. Não vejo genialidade há séculos nas telenovelas de nenhuma emissora.

Em “A vida da gente”, o “final feliz” típico das telenovelas se ajustou satisfatoriamente para cada personagem. Gostei =]

E sobre a fotografia e direção de arte maravilhosas que esta produção teve, penso que, neste caso, toda a parafernália técnica foi (bem) utilizada para imprimir a simplicidade pensada pela autora Lícia Manzo – e o fizeram com primazia, cinematograficamente.

A novela foi programada para ser curtinha, com apenas seis meses, e teve  como desafio superar a marca de sucesso e audiência de “Cordel encantado”. Desta, o pouco que vi achei até bonito, mas não deixava de me incomodar com os tantos estereótipos e pricipalmente com aquele sotaque nordestino forçado dos atores do eixo sul-sudeste.

Mas “A vida da gente” não conseguiu: segundo a prévia do Ibope da Grande SP, no último episódio, foram 24 pontos de audiência contra 30 do Cordel, sendo que a Record, segunda colocada no horário, teve apenas 6 pontos.

Pra mim, isso não tem a ver somente com a novela em si, mas também com o aumento da concorrência entre as outras emissoras, o maior acesso à Tv por assinatura e a outros meios como a internet.

Penso que, inclisive, esta é uma tendência que só faz crescer caso a TV não se reinvente.

No máááximo, esse lance da audiência pode fazer com que a emissora tenha um menor poder de barganha para cobrar uma dinheirama aos anunciantes da próxima novela deste horário. No máximo. Dependendo do produto, eu anunciaria tranquilamente nesta faixa. Geralmente essas novelas não são aquele show de bizarrice dos horários que seguem.

Mas aí se eu estiver completamente errada, do auge da minha utopia, penso que se for pra Globo quebrar por conta de uns pontinhos a menos de audiência, espero que ela quebre fazendo bons produtos como “A vida da gente”.

 

Acho que vai demorar.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Lúcio Flávio Pinto

A Agenda Amazônica de um jornalismo de combate

Grupo Ecosol

Grupo de Pesquisa em Economia Solidária

Das Lutas

Coletivo

[PONTO DE PAUTA] para o livre debate.

Destina-se a abordar criticamente acontecimentos relacionados à política, à economia e à cultura no Brasil, na Amazônia e no Pará em contraponto com a visão editorial conservadora dos chamados grandes órgãos de comunicação.

Ginecosofía

Sabiduría Ancestral de las Mujeres

CINE CCBEU

Em fase de treinamento.

Cine Líbero Luxardo

Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves

CINE OLYMPIA

Em fase de treinamento.

Centro Cultural SESC Boulevard

Em fase de treinamento.

BLOG DO BARATA

Em fase de treinamento.

Site da Enecos

Em fase de treinamento.

Xingu Vivo

Em fase de treinamento.

Hupomnemata

Em fase de treinamento.

Manuel Dutra

Em fase de treinamento.

%d blogueiros gostam disto: