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Baculejo

13 de fevereiro de 2012

Saí do banheiro e vi os amigos encostados na grade, levando um belo de um baculejo.

Nem me alarmaria tanto não fosse um cinegrafista danado, filmando a galera pelas costas.

“Fudeu”, Pensei.

“Fudeu nada, vou lá”. Pensei melhor.

-O que tá acontecendo, moço?

-Tem muita denúncia de droga nessa área, aí viemos dar uma batida.

-Mas e essa câmera?

-As vezes o pessoal liga primeiro pra imprensa, depois pra gente.

-É que a gente ficou assustado, estamos acostumados a vir aqui e estranhamos tanta viatura e a imprensa, acharam algum ladrão?

Ladrão não, mas maconheiro

-Ah, mas isso tem em todo lugar, né não?

*CARÕES*

Volta pra mesa, respira, se acalma.

-Licença, eu preciso revistar sua bolsa. Um PM dirige-se à única moça de calças estilosamente rasgadas da mesa.

-OOOOOI? (Todos, em coro)

-Então o sr vai ter que revistar a bolsa de todo mundo nesse bar.

-Não, eu vou revistar a dela.

-Porque SÓ a dela?

-Porque recebemos uma denúncia de que uma pessoa como ela, hippie, poderia estar traficando aqui.

-Uma pessoa o quê?

Hippie.

-Ah tá.

A conversa seguiu tranquila quando o comandante da opereção, um cara notoriamente esclarecido, chegou até nós pra explicar a legalidade do que estava acontecendo.

Acontece que depois do “hippie” eu não prestei mais atenção em muita coisa, só fiquei presa no despreparo intencionalmente articulado da (e para) polícia, de como isso faz com que eles cumpram tão bem o papel de assepssia social e sejam alvo de repulsa por grande parte da população.

Mas são trabahadores como eu e você.

“A gente apoiou a greve de vocês!”. Gritou meu amigo, todo risonho, arrancando risos de todos os outros pm’s que estavam esperando o comandante da operação resolver o caso da “hippie” (ela,  por sinal, de hippie não tem nada e ainda possui alta patente nesta cooporação, olha só que coisa).

 

Eu também apoiei a greve deles. E sendo por causas justas, apoiarei novamente, seja em Belém, em Salvador ou em qualquer outro lugar.

Quando vejo a cobertura nefasta da globo sobre a greve na Bahia, aquele alarde todo de “OLHA COMO OS VÂNDALOS ESTÃO TENTANDO DESTRUIR SEU CARNAVAL”, aí é que eu apoio mesmo.

E lembro de uma palavra de ordem que ouvi nas manifestações contra o aumento da passagem em João pessoa, que diz assim:

“PEC 300/Vou defender/Mas até quando você vai me bater?”

É bem isso.

Por enquanto, seguimos sendo baculejados por aí.

Até quando?

 

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One comment

  1. É assim mesmo.
    É cabeludo(a), usa roupas coloridas ou rasgadas, sandálias de couro, pulseiras no tornozelo… É bandido. Bora é revistar.
    “Até quando?”
    Eu sempre me pergunto.
    P.S.:
    Devidamente linkada no meu bluógue.
    Boas festas!



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