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Ginecologia Natural por uma questão de classe

23 de janeiro de 2012

Logo de cara, foram essas ilustrações que me chamaram a atenção para um site sobre Ginecologia Natural. As artes são de Sol Suarez y Geraldine Mackinnon.

Aí fui dar uma sacada no site onde elas foram publicadas e acabei  me interessando por vários artigos, mas especialmente por uma entrevista com Alexandra Pope, especialista em questões sobre o ciclo menstrual e seus caminhos da menarca à menopausa.

Nesta entrevista, ela fala sobre a os efeitos secundários da pílula contraceptiva. Foi aí que  me soou o alerta de como nós, mulheres, fazemos o uso indiscriminado do anticoncepcional, sem nos dar conta das consequências desta ação.

Quando comecei a sentir cólicas quase mortíferas na TPM, achei que procurar uma ginecologista para me receitar um anticoncepcional seria a solução, já que já tinha ouvido falar bastante que a pílula, além de método contraceptivo, funciona no tratamentodessas mazelas menstruais dada a dosagem de hormônios administrada, etc, etc.

Bastou uma consulta e uma rápida conversa para que minha gineco (que parece muuuito com o mestre kami, do Dragon Ball =p), prontamente me receitasse o que eu queria.

-No qué pegar filho e nem ter cólica, né? (ela fala com aquele sotaque de japa)

-É.

Ainda me perguntou se eu preferia a injeção ou a pílula, mas como é que eu ia saber? Escolhi de acordo com meu pânico à injeção e o medo de engordar (ela argumentou que  o comprimido teria menor dosagem hormonal e eu estupidamente liguei uma coisa à outra). Ou seja: escolhi quase que 100% no escuro, tamanha a falta de informação.

O pior: nem me dei conta de que ela acabara de me receitar um MEDICAMENTO, e apesar de ler e reler a bula e decorar tudo até de trás pra frente, não fiz muitas reflexões sobre as consequências deste ato, que agora percebo serem muitas irem além de um debate puramente fisiológico.

Alguns trechos da entrevista com Alexandra Pope sobre os efeitos fisiológicos do uso da pílula:

“¿Cuáles son los efectos secundarios más comunes de la píldora?
Son muchos… Depresión, cambios de humor, pérdida de libido, aumento de peso … Afecta en general a la salud incluyendo el debilitamiento de la función inmunológica debido a la disrupción nutricional que supone la píldora en nuestro organismo. Las mujeres que toman la píldora u otros anticonceptivos hormonales pueden experimentar varios de estos efectos al mismo tiempo. La píldora también afecta a la fertilidad. Después de dejar de tomarla, la regla puede tardar mucho en volver y retrasar bastante la concepción. Menos comunes, pero más serios, son efectos secundarios como la osteoporosis, trombosis y cáncer de mama y cervical”.

“¿La píldora confunde al organismo femenino?
El ciclo menstrual de la mujer es un sistema muy sofisticado que cambia constantemente. Responde al medio interno y externo y nos informa mensualmente de cómo manejamos nuestras vidas. La píldora suprime este ciclo y, además de los muchos efectos secundarios mencionados antes, tiene un efecto mortal en nuestra capacidad de saber lo que sucede en nuestra vida a nivel físico y emocional. Enmascara los síntomas de problemas de salud confundiéndolos. Puede que no detectemos señales de problemas de salud o asuntos emocionales tan rápido como cuando tenemos un ciclo normal. Además distorsiona el paso por la menopausia, privándonos de uno de los momentos psico-espirituales más importantes en la vida de una mujer”.

……………………………………………..

Sobre as questões econômicas que envolvem o uso da pílula:

“EL GRAN NEGOCIO
¿Quién es el que gana con la implantación global de la píldora?

Las empresas farmacéuticas. Es un producto muy rentable para ellas. Para los médicos también es muy rentable. Simplemente recetan lo mismo cuando se acaba. A las mujeres que muestran preocupación les recetan otra marca de píldora y listo. Por desgracia muchos médicos no informan lo suficiente de los efectos secundarios ni de las contraindicaciones. A veces dicen algo pero de forma muy rápida. Hay algunos médicos que no son partidarios de la píldora, pero son pocos y dispersos. Hablar en contra de la píldora en el ámbito sanitario es visto como un suicidio profesional.”

……………………………………………

E o que mais me fez pensar:

“PÍLDORA Y FEMINISMO: ACLARANDO CONCEPTOS
¿Por qué, tantas veces, cuando alguien ataca a la píldora … los sectores feministas se sienten igualmente atacados, cuando no tiene nada que ver una cosa con la otra?

Supongo que nos referimos aquí a las actitudes antifeministas y patriarcales. Hoy en día la píldora se considera sinónimo de la anticoncepción. Desafortunadamente existe una gran ignorancia sobre otras formas anticonceptivas, así que cuando se cuestiona la píldora parece que estamos cuestionando la contracepción misma, y de ahí la reacción. Es muy triste que no se anime a las mujeres a conocer el funcionamiento de su propio ciclo menstrual, negándoles así la oportunidad de experimentar el método anticonceptivo más poderoso, el conocimiento de su propia fertilidad. Con dicho conocimiento las mujeres tienen verdadero control sobre sus cuerpos, y la capacidad de elegir desde su posición de poder. Se asume hoy en día que las mujeres son incapaces de manejar su fertilidad por sí mismas y que tienen que ser controladas por la medicina. Esas ideas pertenecen al siglo XIX, no al siglo XXI. Tenemos que cambiar las actitudes negativas sobre la menstruación y rescatar nuestro ciclo menstrual o ciclo de fertilidad como recurso exclusivamente femenino que, una vez entendido, proporciona no sólo herramientas anticonceptivas, también un método de autodescubrimiento y control personal”

………………………………………….

Parece absurdo que a esmagadora maioria das pessoas não conheçam seu próprio corpo e sua fisiologia, mas essa é uma grande  verdade que está inserida na lógica ocidental dominante.

Eu, por exemplo, preferi submeter meu sistema hormonal e reprodutor a um medicamento do que conhecê-los melhor e controlá-los naturalmente.

Mas como “preferir”, quando as condições não te levam à outras alternativas?

Minha escolha foi a mesma da maioria das mulheres por ser a mais cômoda, convencional e aparentemente mais eficaz em um contexto de subalternidade no qual estamos presas; é este contexto que justifica esta “preferência”.

Como correr o risco de uma gravidez indesejada quando são tão difíceis as condições para sustentar a si própria? Melhor lançar mão daquilo que nos está aparentemente mais acessível?

A indústria farmacêutica agradece. Nosso corpo não. 

O capitalismo se apropriou de uma conquista do movimento feminista – a possibilidade da mulher se previnir de uma gravidez indesejada de maneira autônoma- para lucrar com a venda dos contraceptivos.

Nesse sentido, encaro a busca pelo auto-conhecimento e auto-controle de nossa fisiologia propostos por Alexandra não só como solução para uma vida feminina saudável, mas também como um boicote necessário a esse sistema que nos infertiliza e nos aliena de nossos prórpios corpos.

E nossos corpos só serão realmente nossos em um sistema que nos permita tal liberdade.

Infelizmente – e pricipalmente para nós, mulheres – isso ainda não foi possível.

Mas estamos buscando esse avanço.

Humildemente, este seria meu adendo às colocações de Alexandra sobre pílula e feminismo.

E esta será minha última cartela de anticoncepcional.

*Entrevista publicada originalmente na revista “The Ecologist” nº 39.

 

 

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