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Sir Sylvester

12 de dezembro de 2011

Se eu disser que gosto do Sylvester Stallone desde pequenininha, pode crer que é mentira. Eu cresci vendo Rocky e Rambo, gostava bastante, mas não era nada COMO É AGORA.

Agora, sou fã desse bicho e de suas produções. De verdade. Os motivos, julgue-os nobres ou não, seguem neste post.

Não devo nada aos cults que detonam os blockbusters norte americanos por criticar a ideologia que eles enlatam e exportam pro mundo todo, sou muito bem resolvida com isso.

Nunca fiquei neurada com o fato de não saber conversar sobre Godard, Fellini, Antonioni, Glauber e outras galeras.  Conheço suas produções, gosto bastante de algumas, acho muitas delas um saco e me sinto no direito disso tudo, ora bolas, não existe produção intocável e distante do júbilo dos mortais. Tsc tsc

Sempre achei uma grande bobagem querer comparar uma coisa com a outra, sabe? Mesmo sem querer, acaba-se caindo naquele papo furado de alta a baixa cultura, uma grande falácia burguesa.

Talvez também seja porque eu encaro o cinema como mídia, não como arte, e o que me fascina é analisar forma como ele atinge as pessoas objetivamente

Meu grande barato é transitar por esses mundos e extrair o que me interessa deles. Fim. É óbvio que tenho meus gostos, mas isso não me isenta de olhar nenhum produto midiático com olhos de menina deslumbrada.

Digo que virei fã do Sylvester, por exemplo, quando passei a entender melhor esse universo da cultura pop, onde tem muita besteira sim, mas de onde garimpa-se verdadeiras jóias.

Sobre o Rambo: Prefiro não comentar agora. Me atenho a dizer que na estréia da última parte da quadrilogia, fui ao cinema com uma faixa vermelha na cabeça e que meu novo projeto de TCC (sim, mudei!) é sobre ele. (…)

Sobre o Rocky, hoje eu quase chorei vendo o VI, que passou no Space.

Ridículo?

Problema de quem ache.

Rocky me faz lembrar a infância assistindo sessão da tarde e lanchando skilhos com “Ki-suqui” da Angélica, e rememora todo o espírito de uma época. Os primórdios da chamada globalização, que nessa época exercia a lógica do imperialismo norte americano sob a ótica Hollywodiana de forma bem mais escancarada (hoje Hollywood já aprendeu a camuflar isso muito bem).

O primeiro filme é de 76, o último, de 2006. São trinta anos de uma linha do tempo que contém muitos traços da história real, dos dramas do homem, das relações de poder, da dominação dos instintos selvagens.

Rocky não explica nenhuma teoria froidiana em seus frames, mas pode muito bem ser analisado à luz de várias delas e de outros doidões.

É natural, portanto, que o “cidadão comum” se identifique com seus dramas, com todo aquele lance da superação e (não sejamos hipócritas) seja seduzido pelas altas doses de violência contida nas lutas do boxeador.

Soma-se a isso a ideia do Monomito, ou Jornada do Herói, que é a fonte de sua narrativa. Trata-se de uma teoria do antropólogo Joseph Campbell, que observou que independente da civilização a qual pertencia, ao longo da história os homens sempre seguiram uma jornada cíclica em sua luta pela sobrevivência. Hollywood aprendeu a dominar essa jornada com primazia, quase como uma fórmula de bolo. O grande exemplo disso é o clássico Star Wars.

Toma-te wikipédia:

Os 12 Estágios da Jornada do Herói

  1. Mundo Comum – O mundo normal do herói antes da história começar.
  2. O Chamado da Aventura – Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura.
  3. Reticência do Herói ou Recusa do Chamado – O herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.
  4. Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural – O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.
  5. Cruzamento do Primeiro Portal – O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.
  6. Provações, aliados e inimigos ou A Barriga da Baleia – O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.
  7. Aproximação – O herói tem êxitos durante as provações
  8. Provação difícil ou traumática – A maior crise da aventura, de vida ou morte.
  9. Recompensa – O herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).
  10. O Caminho de Volta – O herói deve voltar para o mundo comum.
  11. Ressurreição do Herói – Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.
  12. Regresso com o Elixir – O herói volta para casa com o “elixir“, e o usa para ajudar todos no mundo comum.

Tudo isso aí a gente encontra na hexalogia do Rocky. Também no Rambo. Também no John Connor. Também no Shrek. Também no Nemo. Cansei.

Hoje, analisando o fim da jornada do Rocky, a maior emoção foi (re)ver a parte do treinamento, uma grande homenagem do diretor aos fãs do primeiro filme, que vibravam ao ver o Stallone correndo com seu moleton cinza e pulando no alto da escadaria daquele monumento da Filadélfia ao som de “Eye of the tiger” (TAN DAN DAAAAN TAN DAN DAAAAN…)

Até procurei os dois momentos pra colocar aqui:

 

 

Também vale ressaltar que nos dois últimos filmes da série Rocky e Rambo (Além dos mais atuais Os mercenários I e II) ,  Stalone passou a dirigir as produções e obteve um bom resultado, fechando o ciclos dos Heróis com respeito às suas histórias.

Em suma, ele não é um brucutú descerebrado a serviço dos estados unidos da américa, mas também não é um gênio.

Pra mim, Stallone cumpre o papel de fazer um cinema para o entretenimento, imprimir nele o espírito de seu tempo, render homenagens e dialogar com a fera que existe em nós, mas não para o lado ruim da coisa. É sério que eu acho isso!

Se você ainda não o fez, experimente enxergar com outros olhos essas produções.

Talvez uma ou outra coisa possa dialogar com minhas impressões, né?

Agora eu vou ali ver Exterminador do futuro. Faz parte da minha filmografia básica pro curso de heroína! =p

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