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25 de Novembro

30 de novembro de 2011

“A proposta de celebrar o 25 de novembro como o dia de luta contra a violência à mulher surgiu no I Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe, em 1981. Essa data foi escolhida para homenagear as irmãs Mirabal (Minerva, Patria e Maria), da República Dominicana, que, em 1960, durante a ditadura Trujillo, foram brutalmente assassinadas”.

Tirei isso do FaceBook. Eu nem sabia que essa data existia, ou, se sabia, sempre deixei passar despercebido.

Mas dessa vez não deu. 

Neste dia de luta contra a Violência à mulher, passei a manhã em uma delegacia acompanhando uma amiga que teve a enorme coragem de denunciar a agressão que sofreu dias atrás.

E a agressão NÃO partiu de um homem.

Nas minhas  reflexões pós traumáticas, cheguei à conclusão de que o problema surge da mesma matriz machista e de dominação a qual nós, mulheres, estamos submetidas. Os meandros desse episódio (que não vou tornar público por motívos óbvios) reforçam ainda mais essa minha constatação.

Os perfis da agressora e da agredida são os mesmos dos que engrossam o caldo das estatísticas da violência contra a mulher, praticada no mundo todo. E isso – mais uma dura constatação – independe de grau de instrução, condição social ou gênero.

Sim, porque neste caso, o que muda é apenas o gênero de quem provocou a agressão. Se minha amigA fosse um amigO, a coisa seria muito diferente.

Quer mais um exemplo de como a opressão independe de gênero? Não é porque a Dilma é mulher que o governo Brasileiro deixou de oprimir os pobres e governar para os poderosos ou deixou de negligenciar a situação de desigualdade entre mulheres e homens.

O fato dela ser mulher não mudou nada, embora a propaganda política tenha usado isso como apelo ao eleitor.

Ser mulher, nesse caso, serviu apenas como discurso panfletário.

E se eu citar o imperialismo da Condolessa Rise, a bandidagem da governadora do RS Yeda Crusius e a gestão Débil de Ana Júlia Carepa aqui no Pará, com seus escândalos estarrecedores na Santa Casa de Misericórdia, que atende, em sua maioria, MULHERES?

Mais uma vez: só o que muda é o gênero do opressor. A prática é a mesmíssima.

Mais cruel que esta constatação, só o tratamento desumano que nos foi dado na delegacia. O delegado, um despreparado que desenvolveu a mirabolante tática de se entediar com a dor humana, só não nos tratou de forma pior porque estávamos bem vestidas e, apesar da dor, sabíamos nos expressar.

ISSO É MUITO SÉRIO.

Eu sempre me deprimo quando penso no tratamento que se é dado, por todo o serviço público, pras pessoas humildes que precisam enfrentar essas situações e que não têm a mínima noção dos seus direitos. Quantas pessoas morrem à míngua depois de ter tido tratamento negado em um hospital público e não viu outra saída senão ficar calado e morrer em casa? Quantas humilhações uma mulher pobre que foi agredida já sofreu?

É por essas e outras que o ato da denúncia ainda é tão difícil de ser realizado. Além da situação por si só perturbadora e traumática, ainda são raros os suportes acolhedores para que a mulher se sinta segura em denunciar.

Aberrações como essas jamais deveriam ser naturalizadas.

Não peço que comentem ou me peçam maiores explicações sobre o caso, esse foi um momento muito doloroso. Apenas peço que reflitam e entendam que isto está mais vivo e latente do que a gente pode imaginar, do que os nossos olhos habituais conseguem ver.

Já chorei, entresteci, mas comprovei que o necessário mesmo é a LUTA contra esse machismo, essa dominação e disputa de poder irracional que nos assola.

Não compactue com uma crueldade dessas, que arrasta a mulher agredida ao fundo do poço.

Não naturalize esta barbaridade que o país insiste em varrer para debaixo do tapete.

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