h1

Wind of change

26 de setembro de 2011

Já tem um tempinho que não me considero mais militante do movimento estudantil.

Sabe aquilo de “tem, mas acabou”?

Tive uma militância tardia e bastante conturbada por eternas crises político-existenciais, que segundo um amigo querido, me são “maiores e mais numerosas que as do sistema capitalista”.

“Se ta gerando crise, melhor parar”. Me disse outro bom amigo, quando largou os tóxico.

E foi melhor mesmo.

Mas reconheço que a militância foi um dos períodos mais fantásticos desse meu treinamento de heroína. Várias fichas me caíram, e o entendimento de mundo e sociedade que eu tenho hoje, essa postura de encarar a vida, tudo isso eu credito a esse período que só consigo descrever  de forma burocrática como sendo de plenárias, reuniões, atos, conferências, encontros, palestras, espaços de formação, chapas, coordenações e etc, e que integram um universo muito maior, complexo, indescritível.

Os companheiros e companheiras que fiz, lugares que conheci e as aventuras protagonizadas, esses merecem várias postagens. Não dá pra resumir, nem burocraticamente.

Tudo isso faz com que eu, ainda hoje, mantenha um enorme respeito pelo movimento e até mesmo uma carga de responsabilidade para com ele.

Aí nessa sexta-feira (23), na UFPA, ocorreu um fato curioso: a “reabertura” do espaço físico do DCE UFPA, que esteve fechado nos últimos anos.

Curioso porque, na ocasião, a militância do M.E esperava a presença do reitor para “reinaugurar” o espaço. Não entendi o motivo. Ser um fato político de notoriedade pra a comunidade da universidade? Legal, mas desde quando o M.E precisou da presença do reitor pra isso?

Mas aí tá, né, tudo bem. Vamos fazer essa pré.

Fui lá.  Acho que toda a oportunidade de falar umas boas verdades pra reitoria pode ser uma boa. Além disso, dialogar com os/as estudantes que porventura estivessem por ali também seria de grande valia.

Mano, que sala lotada de vanguarda

Mas e a direita, o que fazia ali? Ah, era dia de festa, né? Eles não iam perder a oportunidade de aparecer pra puxar o saco do reitor e encaralhar quem toca o movimento de verdade, claro que não. Eu não lembrava do quanto eles são escrotos, sabe?

O primeiro contato que tive com essa galera foi nas eleições do DCE Ufpa, ano passado. Não os conhecia porque eles NUNCA aparecem no dia-a-dia da universidade, não fazem porra nenhuma que preste, mas sabem empurrinhar uma eleição que é uma beleza.

É impressionante.

Uma das minhas teorias da conspiração é que eles recebem um tutorial de como ser da direita tão logo sejam recrutados pra esse “lado da força”. São, em sua maioria,  meninos bombados e bem vestidos e meninas patricinhas e bonitinhas. Têm sempre uma piadinha despolitizada na ponta da língua, são debochados, implicantes, caras-de-pau e truculentos. Beiram a esquizofrenia: uma hora estão ali, batendo papo com seus opositores, dando risada. Outra hora se armam iguais a armários na frente dos mesmos, parecendo barreiras intransponíveis. Destilam grosserias, fazem cara feia, acaba-se amor: eis a verdadeira face dessas criaturas. São assim em todo o país, não tem pra onde correr.

Qualquer dia eu escrevo um ensaio sobre a juventude da direita no Brasil, selado.

Não sou ingênua de achar que a esquerda é perfeita. Na mesma eleição em que eu “descobri” essa galera, eu vi o quanto ela NÃO É.

E o M.E daqui é um microcosmo do que é a esquerda no Brasil.

Sem maniqueísmo, gente, mas eles são maus. =p

Aí eles estavam lá na “reinauguração” da sede do DCE, tremulando a bandeira da UNE, da UJS e de outras forças que eu nem conheço. A palavra de ordem majoritária era

ADO ADO ADO, É O FIM DO CADEADO,

mas tiveram outras, onde eles se comparavam aos guerrilheiros do Araguaia  ¬¬

e outra dizendo que quem reformou o DCE foi o reitor ¬¬

As forças da esquerda também tinham várias palavras de ordem, pro desespero da cerimonialista.

Chegou o reitor, e foi cagada generalizada.

Tinha que ser mesmo. Colocar o reitor pra tirar fitinha da porta de uma entidade estudantil e agradecer como se aquilo fosse um favor? Achei palha. Tinha mesmo que aproveitar o espaço pra dizer que a universidade ESTÁ SIM uma merda, e esse não é um discurso demodé, como disse um professor na minha PRIMEIRA aula desse semestre (esses caras são mandados por encomenda na minha vida, só pode!).

Hora da cerimônia

Uma menina foi e disse que aquele era um momento de festa.

Outro citou Galeano.

Outra desdisse o que a primeira disse e acabou não dizendo nada

Outro (todo fantasiado de UJS) começou a falar bem do REUNI, foi vaiado, se fez de vítima, gerou o caos e ameaçou todo mundo, aloka.

Aí falou um cara da reitoria, um político se pré candidatando (?) e o reitor-bom-de-papo, dando ênfase pra inauguração do infocentro anexo à sala do DCE, que também estava sendo inaugurado.

Sabe o que eu achei? Que a direita e parte da esquerda usou aquilo como publicidade, passando por cima da postura necessária e esperada de um M.E combativo.

Deram tapinhas nas costas e coadunaram com uma política que está fudendo com a educação pública, gratuita e de qualidade.

E  como da direita eu não espero nada que preste…

Aquilo foi uma triste premonição do que será essa eleição que está vindo aí.

Depois, todos ao coquetel e a uma partida de bilhar na mesa nova do DCE novo, que feliz.

Comi meus 2 pães de queijo, troquei algumas impressões sobre o ocorrido com algumas pessoas, tomei uma cerveja no vadião e fui pra beira do rio.

Ninguém notou, mas ali, na beira, o que eu esperava não eram só brisas, mas um Wind of change.

Virá?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Lúcio Flávio Pinto

A Agenda Amazônica de um jornalismo de combate

Grupo Ecosol

Grupo de Pesquisa em Economia Solidária

Das Lutas

Coletivo

[PONTO DE PAUTA] para o livre debate.

Destina-se a abordar criticamente acontecimentos relacionados à política, à economia e à cultura no Brasil, na Amazônia e no Pará em contraponto com a visão editorial conservadora dos chamados grandes órgãos de comunicação.

Ginecosofía

Sabiduría Ancestral de las Mujeres

CINE CCBEU

Em fase de treinamento.

Cine Líbero Luxardo

Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves

CINE OLYMPIA

Em fase de treinamento.

Centro Cultural SESC Boulevard

Em fase de treinamento.

BLOG DO BARATA

Em fase de treinamento.

Site da Enecos

Em fase de treinamento.

Xingu Vivo

Em fase de treinamento.

Hupomnemata

Em fase de treinamento.

Manuel Dutra

Em fase de treinamento.

%d blogueiros gostam disto: