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Novos Baianos

4 de junho de 2011

Sofro de envelhecimento precoce.

Às dez da noite, tudo, mas tudo mesmo o que eu quero na minha vida é estar enrolada no meu lençol, lendo qualquer coisa ou vendo qualquer besteira na TV enquanto o sono não chega.

Pra compensar, pilho o dia todo. Acordo cedinho, sou do dia, movida à luz do sol.

Resumindo: tento fugir da geração dos que madrugam na internet e dormem até o meio-dia. Nada contra, mas essa não é minha vibe. Já foi, mas já passou.

Minha “piração na night” é planejada. Ter grana, saber o que preciso fazer durante o dia, analisar as tarefas do dia seguinte, saber como vou voltar pra casa e onde estão os canais.

Resumindo novamente: Sou chata pra carái com isso.

Mas quando soube do tributo aos Novos Baianos que o pessoal da Black Sou Samba (coletivo de DJ’s e produção cultural daqui de Belém) estava organizando, pulei todas essas etapas de chatice planejada e simplesmete fui.

Conheci Novos baianos em 2009, no ENEARTE daqui de Belém. Tinha uma galera da delegação da Bahia que ficava “dando uma bolinha” e tocando Tom Jobim e Novos baianos. Eles tocavam, tocavam, depois começavam a cantar “bem que podia dar uma bolinhaaa” e sumiam num fumacê.

Tinha um clarinete, um trombone, uma escaleta, um violão, um pandeiro, um agogô, várias vozes e meninas bonitinhas fazendo performances engraçadas. Caretona como só eu, aquelas eram cenas super exóticas pra mim, mas mesmo assim achava o máximo.

Tempos depois, quando passei a entender a conjuntura atual do Movimento estudantil, saquei que eles estavam organizando a bienal de arte e cultura da UNE com uma perspectiva completamente despolitizada e achei mó palha. Mas pelo menos eles me apresentaram músicas bem legais.

Menos careta e letrada no youtube, fiquei muito a fim de juntar uns amigos, alugar um sítio com campo de futebol, montar uma banda e mudar de nome.

Mas aí eu cresci, parei de abandonar graduações e comecei a me questionar sobre essa galera que se isola do mundo em comunidades de paz e amor e se furta da luta de clases.  Cheguei à conclusão de que, naquela conjuntura, todas as formas de resitência eram válidas. Hoje tenho lá as minhas neuras sobre esse formato de vida social: meter a cara e viver o mundo cão é necessário.

Numa relax, numa tranquila, numa boa.

E o tributo do Black Soul Samba?

Tirando os dj’s, não teve nada de tributo. Colocaram uma banda pop que só tocou 5 músicas do “Acabou chorare“, todas bem erradas. O vocalista cantava gritando e estava usando uma baby Look de chita. Uma menina hippie-chique-modernosa subiu no palco com o solo de “Brasil pandeiro” e começou a cantar “a menina dança“.  HAha.

Mas  eu tava numa relax, numa tranquila, numa boa.  Só de ver uma galera reunida pra ouvir músicas dos baianos doidões já me empolgou, ainda mais no dia em que a cidade estava toda vestida com o abadá do A2: ASA DE ÁGUIA E AVIÕES DO FORRÓ.

Dava pra ter sido bem melhor, mas eu tava feliz, dane-se a levada pop de “mistério do planeta”. Fiz muitas piadas e cantei altão junto com o pessoal pra ver se ajudava o vocalista a alcançar o tom correto das músicas, hehe.

Mas aí, pessoal da black, umbora ver isso aí, né? Mesmo que o forte seja o coletivo de Dj’s, tributo é tributo, não dá pra ficar vacilando com as bandas.

Vamos continuar sacudindo o cenário cultural de Belém com qualidade, certinho?

Acho que vou incluir virar dj’éia nesse meu treinamento de heroína. =p

Taí uma música que eu tava doida pra ouvir, da fase mais rock 70’s deles.

E se era tributo, vida longa aos Novos Baianos\o/

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