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UM QUINTAL PARA O FUTURO

28 de abril de 2016

“Vagarei pela inexistência da cidade,

por sobre os telhados,

sobre a vida que transpira na pele da idade

dos meus 20 anos

de poeta,

de aprendiz

de arquiteto,

menino de sonho

e ossos no universo de um quintal do Norte.

[…] Outro universo, diverso,

os quintais da cidade

de cercas paredes e muros: geografia escolar.

[…] Todos, contudo, quintais do homem.

Pois, o mundo é grande,

o quintal é grande.”

(Os Quintais, Arquitetura dos Ossos, Age de Carvalho, 1990)

Submeter todo o conhecimento adquirido nesses anos de formação e construir um caminho a seguir para novas produções futuras. Guardar toda a experiência vivida no coração para que no dia de amanhã renasça uma esperança de uma ideia de saberes. Ser conduzido pelas produções e pesquisas elaboradas na minha trajetória de artista-professor-pesquisador na universidade e percorrer por entre os pensamentos existentes na cidade, na Amazônia e nos lugares onde o vislumbramento da poesia me tocar.

Basear-me nos sentidos, na cartografia permanente do meu ser. Levar através dos métodos adquiridos a importância do teatro. Trilhar, mapear e vir a ser os pensamentos que me transbordarem. Deixar a prática narrativa e seguir o percurso da criação artística onde eu estiver presente, amarrar novas ideias e sustenta-las no blog como fonte de referencias para a conexão com novas linguagens de consentimento artístico e social.

Transfigurarei-me em novas imagens para me adaptar ao cotidiano, ao mercado sistemático de produção. Irei buscar novas fontes para tentar entender como funciona o mecanismo; conectar-me-ei com os grupos, artistas, instituições, escolas, comunidades e pessoas que transpiram um novo movimento da atual conjuntura social. Ser um raciocínio que dialogue com outras produções e contribuir com o jogo que a vida lá fora pede.

As ideias de um futuro melhor chegam a mim nessa conclusão de um ciclo acadêmico, quero ter forças para concretizara-las. Tenho motivações de continuar os rastros da pesquisa no avanço acadêmico, numa pós-graduação, mestrado, doutorado e o que a educação teatral me servir como fonte de sobrevivência nesse planeta. Agora estou conectado em rede, em uma plataforma que sustenta as minhas criações, obras teatrais, a minha vida artística presente que servirá como referencias para gerações futuras a mim:

A prática narrativa sobre processos de criação é híbrida na sua formatação: histórias de vida, memórias, diários de trabalho ou de bordo, autobiografias e, contemporaneamente, sites, blogs e biomídias. Mas é, hipoteticamente única, em seus princípios: vencer a natureza efêmera da cena, compreendendo-a em seu processo de criação, como um legado artístico para as futuras gerações de criadores – Wlad Lima. Postagem: A nascente da rede teatro d@floresta (Blog Teatro da Floresta 23/06/2009).

Com essa grande referencia, se não rastro deixado por Wlad Lima, é que busquei firmar-me como pesquisador e aplicar no meu trabalho de conclusão de curso os fundamentos e a importância de se criar registros e sustenta-las em um blog. Wlad esteve presente no meu ingresso no curso, foi com ela que tive a primeira aula em que foi me apresentado à proposta de criação de um blog para se ter como ponto de apoio e registrar o processo vivenciado durante a formação. Recebia dela concelhos, puxões de orelha e um olhar que já me transmitia a ação do jogo da cena teatral. Parto de sua grande referencia de pesquisadora em teatro para dá continuidade nesse saber-fazer amazônico, nessa floresta de encantamento em que o meu coração grita a existência de um ser que respira essa fonte.

O material produzido está publicado em rede, sãos pistas[1] que dão norte a pesquisa, multiplica sentidos futuros, traz a tona a construção do ser, busca informações que a complementam no progresso da produção. Encaixa o pensamento na formação de conteúdos, no progresso de um profissional em teatro. Faz o raciocínio se manter em conexão com a experiência vivida, procura analisar os fatos que vem a acontecer cotidianamente na elaboração de novos trabalhos artístico.

Um quintal para o futuro é atravessar e se desafiar. Buscar ultrapassar com um objetivo. Fazer o traço e partir em caminhos. Se dividir, multiplicar, fechar. Achar o caminho que te traga pra dentro da terra. Se manter no ponto de apoio da pesquisa, no saber-fazer teatral da minha região, falar sobre o teatro que tá acontecendo atualmente aqui. Desbravar o universo de um quintal do Norte. Mostrar uma rede de comunicação com artistas da cidade, uma mobilização artística que dialoga sobre o saber-fazer teatral contemporâneo. Expressar na mídia a ludicidade das histórias de vidas, de sentimentos coletivos e deixar registrado como história da produção humana espetacular.

1 As pistas que guiam o cartógrafos são como referencias que ocorrem para a manutenção de uma atitude de abertura ao que vai se produzindo e de calibragem do caminhar no próprio percurso da pesquisa – o hódos-metá da pesquisa

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Hermano Galeano

13 de abril de 2015

Hoje acordei com a notícia de que um grande amigo dos tempos de movimento estudantil havia falecido. Chamava-se Eduardo Galeano e tinha 74 anos de idade humana, embora suponha que essa conta seja outra no mundo das pessoas como Eduardo. Galê foi um amigo muito presente. Não daqueles que sempre te visitam ou vivem te chamando pra sair, mas do tipo que aparece justo quando tu mais precisas de um papo reto. Foi assim quando nos conhecemos. Eu estava numa bad ruminando o baita choque de contradições que o mundo-cão me apresentou no início da militância, de ser um privilegiada por ter as coisas, por saber das coisas, enquanto as pessoas ao meu redor continuavam simplesmente morrendo na merda. Me vendo naquela situação, não fez a menor cerimônia: me encheu de Abraços e com seu jeitão genial foi explicando minhas revoltas, acalentando as inquietudes do meu coração, me enchendo de esperança…
“Você não está só”, dizia ele, um pouco contrariado em me ver encharcando suas palavras amigas. Foi embora em seguida e eu tinha a certeza de que logo mais nos encontraríamos.
Quando me viu mais forte, incentivou minha ida até seu país para que ali a gente começasse a falar de uma tal América latina. Foi curioso esse episódio. Lembro-me que horas antes do meu primeiro vôo internacional, não tinha passaporte, sequer RG, e não sabia falar uma só palavra de seu idioma. Pareceu milagre eu conseguir emitir um novo RG naquele mesmo dia 07. Ainda atônita com essa façanha irresponsável, me deparo com um vendedor de livros na calçada, de onde um título me salta a vista:
“MULHERES”.
Bom agouro, na certa. Tu és foda, Galê!
E que mulheres de força me acompanharam nessa viagem à tua terra, homem! Que dias intensos e inspiradores vivi no teu lugar!
Até fui no Café que costumas frequentar em Montevidéo, mas hoje sei fui até ali, na verdade, para ME encontrar…
E me encontrei quando descobri que o sangue que jorrava de minhas veias abertas é o mesmo do teu, é o mesmo do Jonatahn, é o mesmo de todos nuestros hermanos. Ali me re-conheci na dor e na resistência ancestral dos povos nascidos do solo da deusa-Mãe Pachamama.
Ali Re-nasci.
Que grande lição, meu amigo!
Mas as amarguras da vida não são poucas e sempre teimam em nos perseguir, tu sabes. E eis que em outra bad eu entrei. Que mundo é esse que separa seus irmãos, que mata suas crianças de fome, que nos esfola vivos, nos mantém ignorantes, envenena nossos rios, infertiliza nossa terra, cala nossas mulheres, aprisiona nossa liberdade?
Não, nesse mundo eu não queria viver…
Aí tu vens mais uma vez, com toda a sapiência que com certeza não adquiriste só dessa vida, e me diz assim:

“É UM MUNDO DE MERDA QUE ESTÁ GRÁVIDO DE OUTRO”

Outro mundo onde vale a pena viver e cujo parto dependeria de mim, também, e que talvez eu nunca veja a cara dessa criança mas meus filhos, meus netos e os filhos dos meus netos com certeza veriam. Cara, tu me salvaste com essas palavras!
Porque esse mundo em trabalho de parto ainda é feio demais, sim, mas brilha numa intensidade que me seduz tanto, mas tanto, que faz com que eu queira sempre oferecer o melhor de mim, do que sou e do que busco ser, pra modificar qualquer coisinha que seja.
Nunca te disse, mas hoje toda a minha construção se baseia nessa ideia.
Hoje, ao saber que tu te foste, confesso que fiquei triste à beça não por recusar a morte como um processo natural, mas porque perder um amigo é barra mesmo, a gente nunca tá preparado.
Mas quero que saibas que mesmo eu não sendo muito desse papo de “gratidão”, me sinto na obrigação de te dizer o quanto sou e seguirei sendo grata à tua mão amiga na minha mão.
Infelizmente nosso encontro “material” não teve tempo de acontecer, mas como disse uma outra grande amiga lá no livro das faces, nossa alma se tocou, se abraçou, apoiou uma à outra, e isso já é pra sempre!

Obrigada pelo legado para mim e para os meus, amigo-mestre.

Há braços de sua eterna aprendiz.

* EDUARDO GALEANO, PRESENTE! *

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Atenção para o teste

28 de dezembro de 2014

Passei tanto tempo sem escrever aqui que resolvi postar qualquer coisa imediatamente pra ver se ainda tá funcionando.

Oi Oi Oi

teste

Eu ainda sou uma quase heroína.

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Um Estatuto pra chamar de nosso

1 de setembro de 2014

ESTATUTO DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente)

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964

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Para Setembro, aquela que parece ser a política mais acertada de todos os tempos:

1 de setembro de 2014

 

*NÃO NEURE O IRMÃO*

 

(Tampouco se deixe neurar pelas neuras alheias, amém!)

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Estalo

31 de agosto de 2014

De repente um estalo e você percebe que não pode mais estar ali querendo aquilo, fazendo aquilo, sendo aquilo.

CLICK

TEC

TIC

PLIN

Simplesmente passou. 

CHEMISTRY

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“O pulso ainda pulsa”

25 de agosto de 2014

Foi o que o Arnaldo veio conversar comigo ontem, no show que fez aqui em Belém. E ele arquitetou tudo pra que a mensagem chegasse direitinho até mim: me arrumou as melhores companhias da noite, preparou o setlist mais foda dos últimos tempos, dançou do jeitinho mais doido possível e não ficou um só minuto sem ser simpaticamente estranho naquele palco…

Um dia pra lembrar que no pulso ainda pulsa saúde, amizade sincera, luta, amor

É claro que sim, como eu poderia estar esquecendo disso?  

Tô numa ressaca gostosa de GRATIDÃO por mais essa viagem cósmica da vida e de ânimo recarregado pra percorrer todo o espaço sideral ~~~~~~~~~ só que agora, na cadeirinha do meu disco voador, só existe espaço para estranhos do bem. É que tô querendo ir mais além :) 

#meabraça  (Foto da querida Larissa Costa)

#meabraça (Foto da querida Larissa Costa)

Semelhantes

Semelhantes do meu disco voador  (Foto da Loló)

De alma lavada fomos pro céu

Livre para na-ve-gaaaar (Foto da Loló)

Lúcio Flávio Pinto

A Agenda Amazônica de um jornalismo de combate

Grupo Ecosol

Grupo de Pesquisa em Economia Solidária

Das Lutas

Coletivo

[PONTO DE PAUTA] para o livre debate.

Destina-se a abordar criticamente acontecimentos relacionados à política, à economia e à cultura no Brasil, na Amazônia e no Pará em contraponto com a visão editorial conservadora dos chamados grandes órgãos de comunicação.

Ginecología Natural

Sabiduría Ancestral de las Mujeres

CINE CCBEU

Em fase de treinamento.

Cine Líbero Luxardo

Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves

CINE OLYMPIA

Em fase de treinamento.

Centro Cultural SESC Boulevard

Em fase de treinamento.

BLOG DO BARATA

Em fase de treinamento.

Site da Enecos

Em fase de treinamento.

Xingu Vivo

Em fase de treinamento.

Hupomnemata

Em fase de treinamento.

Manuel Dutra

Em fase de treinamento.