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Toulouse-lautrec na casa de tolerância

9 de março de 2012

A intenção era só seguir o ritual de ver um bom filme de graça nas quartas-feiras do Cine Líbero Luxardo, mas acabei esbarrando com as obras de um cara que eu conheci tempos atrás, despretenciosamente, e por quem me encantei: Henri de toulouse-lautrec, o artista que pintava quadros de aristocratas e fazia ilustrações para sustentar sua vida boêmia mas curtia mesmo era ratratar uma Paris dos bêbados, das prostitutas, dos loucos e ladrões, comumente varrida para debaixo do tapete.

Henri-Marie-Raymonde de Toulouse-Lautrec-Monfa (1864-1901)

Pra mim, ninguém retrata melhor o espírito da vida noturna da Belle Époque parisiense do que Lautrec. De sua cadeira cativa no Molin Rouge, o baixinho de pernas atrofiadas afogava suas mágoas em goles de vinho e absinto e fazia do salão a sua arte.

Lautrec é um pós-impressionista tido como precursor da Art Nouveau. Mesmo tragado pela boemia, produziu muita coisa ao longo dos 20 anos de carreira: foram cerca de 700 telas, 270 aquarelas, 360 gravuras e pôsteres, 5000 desenhos e alguns outros trabalhos.

Também deu muitas contribuições ao design gráfico e acabou por se fazer reconhecer a litografia e o pôster como obras de arte.

Poster da famosa dançarina Louise Weber, conhecida como ” A Gulosa”. =P

Lautrec foi contemporâneo do período retratado no filme  L’Apollonide – Os Amores Da Casa De Tolerância (L’Apollonide – Souvenirs de la Maison Close), cuja direção de arte bebeu altas doses da sua fonte e do seu ópio . Talvez por isso o filme seja tão bonito, como se cada cena fosse, na verdade, uma obra de arte dele. A riqueza de detalhes do figurino e a perfeição da maquiagem de efeito também compõem toda essa beleza.

A história de  L’Apollonide me soou como uma grande homenagem do diretor Bertrand Bonello às antigas “casas de tolerância”, um olhar mais sensível e humanizado acerca da situação e da função social das prostitutas e das casas, nem sempre tão glamourosas como costumam ser representadas: no cotidiano do prostíbulo também existe rotina, exaustão, trabalho duro, comércio, tragédia, desilusão e companheirismo.

“Porque se elas não queimarem quem iluminará a noite?”

E com a trama se passando na virada do século XIX para o XX, período de decadência dessas casas e dos ideais de liberdade, igualdade, e fraternidade, a singeleza do drama se intensifica: a luz vermelha da entrada da mansão se apagando, as pétalas da rosa branca caindo, a fumaça do ópio se esvaindo…

Essa ânsia por mostrar detalhes do cotidiano do L’Apollonide as vezes pode tornar a narrativa confusasou até cansativa, mas o resultado final é pura beleza.

Toulouse pintou tudo isso. Bertrand filmou. Saca só

The Kisss, 1983

Baile de Mácaras

Salon at the Rue des Moulins, 1894

Esperando o primeiro cliente da noite

The Medical Inspection, 1894

O cartaz

La Toilette, 1896.

Pauline, entediada.

The Sofa Sun

E um pouco do resultado na tela:

Sinopse: Início do século XX: o bordel L’Apollonide está vivendo seus últimos dias. Neste mundo fechado, onde alguns homens se apaixonam e outros se tornam viciosamente dependentes, as garotas dividem seus segredos, suas rivalidades, seus medos e suas dores.

Sempre acho interessante essa co-relação entre as artes, tanto pelo enriquecimento da produção quanto pela homenagem ao artista cuja obra tenha servido de fonte de inspiração.

Aaaaa, e a sacada das inserções de elementos contemporâneos, como a trilha sonora e a cena final, foi brilhaaaaante, heim? Palmas pra direção!

Aqui em Belém o filme segue em cartaz no cine Líbero Luxardo:

Datas:

07 a 10/03 (19h)

11/03 (16h30 e 19h)

14 a 17/03 (19h)

18/03 (16h30 e 19h)

Ingressos a R$ 5 com direito à meia entrada.

Às quartas-feiras a entrada é franca para estudantes, e dá lotado.

O Líbero É LINDO e tem espaços especiais para cadeirantes. ;)

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